18 julho 2009

Foi Assim Que Mataram Um Sonho

Dinheiro, fama, poder são bens efêmeros, ilusórios. Nada compra a felicidade, porque essa tal felicidade é, provavelmente, apenas um estado de espírito, o resultado de tudo que vamos acumulando pelo caminho a partir do momento em que proferimos o primeiro berro como forma de anunciar a nossa presença no planeta terra. A infância de qualquer indivíduo, o modo como será preparada a criança para o mundo é que aferirão a alma do adulto, a sua ponderação diante dos muitos reverses que experimentará na vida até que volte a ser ninguém.
Michael Jackson nasceu provido de inúmeros talentos e, teoricamente, teria tudo para ser feliz, já que contemplado com o mais divinal de todos esses dons, que era o seu espírito musical. Deu em nada, porém. Não por culpa do garoto, claro, que até se mostrava como o embrião do que poderia vir a ser um adulto afortunado, quando ao lado dos irmãos começou a experimentar o gostinho da fama, e sim pela ambição desmedida daqueles que estavam em volta, que viam ali não um talentoso menino depontando para a arte mais pura, mas tão-somente uma mina de ouro.
E foi assim que começaram a matar aquele projeto de felicidade, para erguerem em seu lugar uma instituição com fins meramente lucrartivos. Foi assim que roubaram de modo perverso a infância de Michael. Foi assim que moldaram a criança ao feitio de um robô gerador de lucros estupendos, que para mais nada haveria de servir mais tarde que não fosse para produzir sucessos avassaladores, bater recordes em cima de recordes, até que viesse a refluir como um disco de cera, num canto qualquer, empoeirado. Foi assim que lhe tomaram a alma. Foi assim que lhe esvaziaram os bolsos e o ridicularizaram no próprio instante em que um envelhecido Michael tentava inutilmente resgatar uma infância que lhe fora arrebatada de maneira vil. Foi assim que o deixaram no escuro até na hora em que exalava o último suspiro.

Por Astolfo Lima

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